Os motivos que fizeram o Corinthians desistir de Pablo. E impedir que esteja na festa do hepta

Não inflacionar a folha salarial, preservar o bom ambiente no elenco, não despertando inveja e pedidos de equiparação. Também não onerar a nova diretoria que assumirá o clube em fevereiro, provavelmente comandada por Andrés Sanchez. O empresário do jogador não aceitar dividir suas luvas em quatro vezes. E para atrapalhar, a confusão no Morumbi, no show de Bruno Mars.

Esses foram os fatores que tiraram Pablo do Corinthians. E o colocou à disposição de Flamengo, São Paulo, Cruzeiro. E, discretamente, o Palmeiras. Os interessados.

O Corinthians havia se acertado com o Bordeaux. Iria parcelar os 3 milhões de euros, R$ 11,5 milhões, com o time francês. Também havia acertado o pagamento da comissão do empresário do jogador, Fernando Carlos. Só que os dirigentes queriam dividir as luvas em oito parcelas, nos quatro anos de contrato.

Mas, de acordo com a diretoria corintiana, o jogador quis receber 100% das luvas já em dezembro. Além de pedir um salário mais alto do que o clube oferecia. Depois de muita negociação, ele teria insistido em 40% de antecipação. De acordo com conselheiros ligados a Roberto de Andrade, Pablo ganharia logo no início de seu contrato cerca de R$ 500 mil mensais, somando luvas e salários. Se tornaria o jogador de maior vencimento em 2018.

Os dirigentes acreditam que seria um precedente que poderia implodir o bom ambiente no elenco. Havia a certeza que outros atletas pediriam equiparação. E o clube não daria. Na visão do diretor de futebol, Flávio Adauto, seria caótico.

Com as luvas diluídas, ele receberia R$ 350 mil, o que recebem as estrelas da equipe, como Jô, Rodriguinho, Jadson.

"Há jogadores aqui com muita história e que não poderiam ganhar menos. Ele pediu o que não poderíamos pagar, não gostaríamos de pagar, porque temos todo um elenco. Que seja feliz. O torcedor sabe o que fizemos, vai compreender que tentamos, fomos à exaustão. A gente lamenta. É acima do que o histórico dele no Corinthians", decretou Adauto.

Além disso, Fernando César também queria receber suas luvas integralmente. Os dirigentes queriam dividi-la em quatro e pagá-la ao final de cada um dos quatro anos de contrato. Porque se vendessem o atleta depois de um ano, ele já teria embolsado o valor de uma negociação de quatro anos. Não houve acordo.

Como já foi noticiado pelo blog, o presidente Roberto de Andrade já estava irritado há muito tempo com a postura de Fernando Carlos. Segundo ele, o empresário sempre pedia algo a mais, o que dificultou a negociação.



De acordo com o agente, era o Corinthians que combinava e depois recuava e tentava pagar menos. O clima entre as duas partes ficou insuportável.

"Perdemos o Guerrero e a vida seguiu. O Pablo é um ótimo jogador. Mas o Corinthians não ficará refém de ninguém", desabafou Andrade.

O presidente ficou tão irritado com o pedido antecipado de 40% das luvas na sexta-feira, que tomou uma decisão. Não quer mais nenhuma ligação de Pablo com o Corinthians. Ele foi afastado do treino de ontem, que foi uma celebração com a torcida, em Itaquera. Os jogadores foram festejados pelos torcedores no gramado, pelo heptacampeonato brasileiro.

E Pablo também não estará hoje na partida contra o Atlético Mineiro. Não receberá com o time a taça de campeão do Brasil. Não aparecerá nas fotos festivas. É uma punição pelo final das negociações. "Não haveria clima. O Pablo e o Corinthians seguirão suas vidas. Ele cumpriu sua missão, pela qual foi pago, e a vida segue", diz Adauto.

Tanto Roberto de Andrade quanto os dirigentes que negociavam sua contratação, Alessandro e Adauto, ficaram irritados por Pablo ter ido ao show de Bruno Mars, no Morumbi. Eles já tinham ouvido falar do interesse do São Paulo no zagueiro. Consideraram não ter cabimento, ele ficar circulando pelos camarotes, junto a dirigentes são paulinos. Consideraram, no mínimo, falta de consideração com o Corinthians.



Até por isso, não houve a menor dor na consciência ao tirá-lo da festa de hoje em Itaquera. E também da partida do Sport. Ele deverá ser liberado até dos treinos. Para que possa seguir sua vida. E acertar com o clube que quiser. Os dirigentes o tratam com ex-atleta do Corinthians.

Já se apressam em fechar a contratação de Marllon, zagueiro da Ponte Preta. Pela avaliação de Fábio Carille, ele tem as características que se assemelham às de Pablo. É veloz, vigoroso, especialista nas antecipações. Combinaria perfeitamente com Balbuena, que a diretoria considera fundamental para a Libertadores de 2018.

Além de Marllon,o lateral Nino Paraíba pode chegar.

Pablo se diz arrasado com a postura da diretoria corintiana. Ele não esperava essa atitude radical. Ficar fora da festa pelo título.

"Estou muito triste. O que está acontecendo comigo agora pode vir a acontecer com qualquer outro jogador do Corinthians no futuro. E isso é lamentável", disse ao portal UOL.

Há a determinação passada à Comissão Técnica que Pablo não participará das festividades. De maneira alguma. Ele já não é considerado mais atleta corintiano.

A esmagadora maioria dos jogadores deseja que os dirigentes mudem de opinião. E permitam que Pablo tenha acesso ao menos à entrega da taça, hoje, em Itaquera, após o jogo.

Mas nesta manhã, Roberto de Andrade seguia firme.

Sua resposta era fime.



"Não. Nem pensar..."